Na estação
Engraçado dizer isso, mas observo que todos continuam na estação. Finalmente um lado viu o outro, mas o longo olhar não fez as coisas se moverem. O trem chega e ninguém sobe. Eu rio da ironia, eu também devia subir, mas quero ver como a história vai acabar, quero ver quem vai para onde e principalmente, os rostos na partida, eles me dirão o final da história.
Será que me dirão mesmo? E tudo que eu não sei? Por mais que eu fantasie o final, a história é deles. E a minha? Que faço com a minha história, parada vendo o trem das histórias dos outros partirem? Calmamente, sento e espero pelo meu trem. De repente os outros rostos não me importam mais…
Eu queria olhar para o lado e ver que alguém me vê, que alguém se importa com o trem que eu vou subir, e, só uma vez, eu queria ver o meu rosto no fim da história. Qualquer coisa para sair da apatia que caleja, da ilusão que acaba e principalmente do rumo das histórias que eu não conto como personagem, somente como narrador.
Respiro e levanto. Outro trem vem vindo. Este pode ser o meu. Continuo com minha música nos ouvidos, sem falar com ninguém e pior, sem ver nada. Mas o trem vem vindo e tudo pode mudar, porque a gente é assim, no final da nossa caixa tem sempre esperança.